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DOSSIË DE INCLUSAO

Page history last edited by tania dutra 2 years, 7 months ago

UNIDADE 7 – AVALIAÇÂO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

 

                        Infelizmente não vejo nenhuma aproximação entre as idéias trazidas nos textos sobre a avaliação e meu Estudo de Caso. Bem pelo contrário observei muitas contradições. Em virtude de o Estudo ter sido realizado entre o meio e final do trimestre estas observações foram gritantes e reais.

                        A avaliação é feita através de Parecer Descritivo, porém o mesmo é construído embasado em instrumentos tradicionais, provas, atividades escritas e objetivas. Dificilmente um único método contemplará todas as possibilidades construídas. Não há como medir o conhecimento. Cada criança tem características, interesses, capacidades e necessidades que lhe são próprias e devem ser respeitadas dentro de sua diversidade. Porém no caso de José isso não aconteceu foram  avaliados exclusivamente os conteúdos, não suas construções. José tem muita dificuldade em trabalhar com letra cursiva, prefere letra de forma, porém não lhe é permitido usá-la. Onde ficam seus direitos?

                        A avaliação deveria assumir um caráter processual, cumulativa, investigativa, diagnóstica e participativa, houve um momento de investigação, buscamos descobrir a raiz a causa de suas dificuldades, porém isto não foi levado em consideração no momento da avaliação. Valeram os conteúdos.

                        O comportamento e desenvolvimento das aprendizagens de José confirmam os pensamentos de Paulo Freire e Vygotsky,citados no texto:“AVALIAÇÃO E INCLUSÃO ESCOLAR:DESAFIOS, CONFLITOS E POSSIBILIDADES” Ana Carolina Christofari, que as vivências influenciam nas ações e respostas na escola, pois durante toda a investigação pude concluir  que suas dificuldades refletem os conflitos que começam em casa, a insegurança, a falta de autonomia, o medo de perder o que tem, entre outros.

                        Concordo com a avaliação através de Pareceres, acredito que a mesma ainda é a forma de expressão mais justa e confiável, por nos possibilitar um campo descritivo mais amplo, onde podemos colocar toda a evolução do processo de aprendizagem do aluno em todas as áreas, porém deve ser justa e embasada em um trabalho de troca, de diálogo, de interação entre professor, aluno, aluno com aluno e com a participação de todos em diversas atividades, com diferentes recursos. Considerando o aluno como um todo.

                        Somente assim teremos uma avaliação válida e significativa. Cujo objetivo não será rotular, criar estigmas, saber que conteúdo decorou, mas sim constatar suas construções, detectar suas dúvidas, dificuldades, diagnosticar se estamos no caminho certo, ou o que devemos mudar.                                                                                                                                                     

  01/07/09

 

 

Unidade 6 – Estudo de caso

 

            Dando sequencia aos registros de meu trabalho de “Estudo de Caso” do aluno José do 3º ano, confesso não estar muito satisfeita.

            Em minhas aulas José segue demonstrando progressos. Tem realizado as atividades propostas com mais capricho e dedicação, estamos mais próximos, me beija e me abraça quando chego e quando vou embora, porém em conversa com a professora titular e a mãe, não recebi boas noticias. Relataram que na aprendizagem não houve progressos e que seu comportamento sofreu graves alterações. Passou a mentir e pegar trabalhos dos colegas e entregar como seus. Fiquei muito preocupada e procurei a professora para conversarmos, novamente me relatou que José está “de mal a pior”, procurei a mãe, sente-se perdida e não sabe o que fazer. Procurei então a psicóloga a qual foi encaminhado, por telefone disse que ainda não tem um diagnostico, pois a primeira consulta foi só para conhecê-lo e que a próxima poderá fazer uma avaliação. Para minha surpresa a próxima consulta será somente no próximo mês, e se não cair no recesso escolar, que poderá ser adiada.

            Em fim as novas constatações não são nada positivas. Não vejo nada de novo, o mínimo que poderia acontecer seria sentir uma maior simpatia da professora pelo aluno, e o que vejo são sinais de desconforto, de descaso ou pior de desistência de buscar formas de ajudá-lo. A mãe tem ido todas as sextas feiras até a escola, para saber sobre os progressos do filho, porém as decepções são tantas, as reclamações, que tenho medo que também desista. Como neste dia não estou na escola não tenho como estar presente durante as conversas e pelo que me é repassado não são nada animadoras.

            Hoje na aula senti que os próprios colegas já rotularam Jose. Tudo que acontece de errado é o primeiro a ser citado. Um aluno na hora de sair para o lanche, me chamou e disse para não esquecer de pedir para os alunos colocarem os nomes nos trabalhos que estavam em andamento, o que é feito somente na hora da entrega dos mesmos, quando questionei o porque dessa atitude disse:”é porque o José rouba nossos trabalhos”.Chamei a turma e conversamos, porém fiquei muito preocupada.Vou conversar sobre esta questão com a professora, observo que algo de muito errado esta acontecendo.

            O que deixar aqui de mais significativo? Neste momento só um grande sentimento de impotência. É terrível e angustiante saber que algo pode ser feito, que tem como mudar, mas  ninguém quer que isto aconteça, não demonstram interesse.

            Estou insatisfeita, preocupada, indignada, mas não conformada. Continuarei estudando este caso, mas mais do que isso não vou desistir, vou buscar uma forma de mudar esta situação, porém com muita calma e delicadeza. Terá de ser um trabalho de conscientização e não de imposição para que seja significativo e permanente em minha escola, para todos os casos e não somente para esse.

 

 

25/06/09

 

  

UNIDADE 6 – COMPLEMENTO ESTUDO DE CASO

  1. Quais as práticas pedagógicas inclusivas possíveis de serem efetivadas em sala de aula com o sujeito escolhido por você para o estudo de caso?

A prática pedagógica a ser efetivada em sala de aula e que atingirá maior significado com José, o sujeito por mim escolhido para o estudo de caso seria o diálogo, a interação entre ele e a professora titular, interação esta que com certeza repercutirá em uma maior integração com a turma. Sinto uma distancia muito grande entre ambos. Vejo José desmotivado, assim como percebo esta desmotivação por parte da professora, que demonstrando um pouco de desinteresse na busca de recursos, instrumentos e meios de ajudá-lo.Já temos a participação e interesse da família, a ajuda de uma especialista, mas os progressos não estão acontecendo, vejo esta interação como essencial para que José se sinta importante, valorizado resgatando sua segurança, autonomia e motivação para a construção de suas aprendizagens.

      2.   De que maneira(s) a presença  de alunos com NEEs no ensino comum pode contribuir para a facilitação das aprendizagens da turma como um todo?

Não diria que a presença de alunos com NEEs no ensino comum contribuiriam para a facilitação das aprendizagens da turma como um todo, não que não tenham com o que contribuir, porém as mudanças, as transformações acarretadas no ensino sim. A valorização e o respeito pelas diversidades,  pelas diferenças desenvolvidas dentro da sala de aula contribuiriam na facilitação das aprendizagens onde um teria a oportunidade de aprender com o outro, havendo mais diálogo, troca de informações, respeito aos conhecimentos construídos fora da sala de aula, solidariedade e companheirismo.

01/07/09

 

 

 

Unidade 5 – ESTUDO DE CASO ( CONTINUAÇÃO )

 

Relatarei aqui como andam os progressos no estudo de caso  de meu aluno do 3º Ano, o José.

José, filho adotivo de uma família de classe média alta, empresários, com 10 anos apresenta dificuldades de aprendizagem desde que entrou na escola, assim como problemas de disciplina. Já teve acompanhamento de especialistas, particulares, e aparentemente a família  demonstra muito interesse  em seu processo de aprendizagem Ano passado superou algumas de suas dificuldades, porém este ano estas reapareceram. A família foi chamada, compareceu o pai, disse não mais saber o que fazer com o filho, que já gastou uma fortuna com psicólogas e especialistas e que não viu resultados. Decidiu então juntamente com a professora que adotariam o uso diário de uma agenda onde a mesma relataria o andamento das aulas. Como já relatei no registro anterior, a idéia não deu certo, a agenda passou a ser motivo de agressões físicas e castigos para o menino. Marcamos nova reunião com a família como planejado para conversarmos sobre a questão.

Nesta nova reunião o pai não compareceu, veio a mãe. Esta em conversa relatou estar insatisfeita com os acontecidos, inclusive com a agenda. Falou da revolta do pai, de sua agressividade, do quanto exigem do menino. Acredita que ele não gosta de estudar e que não adianta fazer nada. Tem um quarto em sua casa onde o mesmo tem a disposição todos os materiais, livros, computador, cadernos, etc...tudo que se possa imaginar, mas o mesmo não se interessa.Perguntei sobre suas amizades, ela disse que ele não tem tempo nem lugar para brincar com ninguém, já que fica com a família o dia todo na empresa.Questionei sobre televisão, videogame, nada.Ele precisa estudar disse ela.Questionei então sobre as leituras disponibilizadas falou sobre literatura infantil e coleções de livros aparentemente didáticos.Confesso que entrei em desespero, quase nem acreditei em seus relatos.Fiquei muito curiosa em conhecer este quarto, ou sala que ela falou.Não sou especialista nem psicóloga, mas acredito que o problema esta com a família e que tudo que acontece com José é uma conseqüência desta, poderia dizer doença dos pais em querer que o filho seja alguém na vida, ela repetiu isso várias vezes.

Em seu desespero disse que tudo que fosse possível fazer, ela tentaria e colaboraria conosco. Sugerimos então um encaminhamento para a orientadora do município, já que o pai se nega a encaminhá-lo particular, vê-se ai certo autoritarismo do mesmo, assim como em seus castigos, com agressões físicas, que deixaram marcas no corpo do menino, e as copias dos registros da agenda. Diz a mãe que ele chegou a copiar 100 vezes a mesma frase, ou termos como “Não posso incomodar”, “Tenho que estudar”.

Combinamos  que a mãe organizará uma tarde na semana, para José brincar com um colega, disponibilizando a oportunidade do mesmo ter um convívio social, fazer amizades, ter alguém para conversar já que só convive com adultos. Por enquanto, não lhe obrigará a estudar em casa, terá um período de aproximadamente 30 a 40 minutos para a realização dos temas e fizemos seu encaminhamento para a classe de Apoio, que será freqüentada duas vezes por semana no turno contrário.

Falamos também sobre os materiais disponibilizados, sugerimos comprar jogos, livros e revistas que sejam de seu interesse, ela falou do quanto ele gosta de animais, sobre seu sonho de morar em uma fazenda que eles têm no interior do estado e que já era de nosso conhecimento. Citamos então algumas revistas que falam sobre meio ambiente, zona rural e animais.

Combinamos também que iríamos conversar com o aluno a respeito de nossas combinações, assim como sobre nossa postura em sala de aula, tendo mais paciência, demonstrando mais carinho e atenção com o mesmo. Quanto ao pai, a mãe disse ter combinado que ela assumiria o menino daqui em diante, e que caso não consiga ajudá-lo ele será mandado para um colégio interno.Isso me deixou muito revoltada, não com a mãe, mas com a falta de amor do pai, é uma atitude assustadora.

Conforme combinado, fizemos o encaminhamento de José. Esta semana a orientadora esteve na escola, falamos sobre a urgência do caso e solicitamos que neste caso em particular, nos deixe acompanhar bem de perto a situação, para podermos ajudá-lo, e também obtermos  algum resultado mais rápido, evitando assim alguma atitude drástica do pai.

Está semana terá a primeira consulta com a orientadora, já se passaram alguns dias de nossas combinações, conversei com a professora titular e ela disse ter sentido melhoras no comportamento de José, e que está mais interessado nas aulas. Progressos na aprendizagem, ainda é cedo para falar, mas seu interesse também senti em minhas aulas, assim como sua dedicação. Acredito e espero que tenhamos encontrado o caminho, e se não for este será outro, pois começamos uma caminhada que não pode ser interrompida.

O que mais me assustou neste trabalho todo, foi o que estou encontrando, é como mexer em uma possa de água, que aparentemente está limpa, e após ser mexida fica turva, suja, é repugnante.

 

02/06/09

 

 

 

 

 

 

UNIDADE 4

ESTUDO DE CASO  

ALUNO

 

Escolhi para a realização deste trabalho um aluno chamado José, tem 10 anos e está no 3º ano, e tem muitas dificuldades de aprendizagem.

José mora com os pais adotivos, ambos empresários, sendo assim com uma ótima  situação econômica. Demonstram ser muito atenciosos e aparentemente não fazem diferença entre os filhos, dois já adultos e casados, com filhos, porém residem na mesma casa e trabalham todos juntos na empresa da família.

José sabe que foi adotado e conhece os pais biológicos, que eram empregados da família, e aparentemente aceita com tranqüilidade. Todos inclusive os irmãos adotivos demonstram muita preocupação com o menino. Quando algum membro da família não o leva para a escola, quem o faz é um motorista que orientado pela família, sempre pergunta como está a aprendizagem e comportamento do mesmo.

Todos estes cuidados vêm em decorrência de José ter muita dificuldade de aprendizagem e problemas de comportamento. A mãe procurou a escola em virtude de o filho ter freqüentado a pré-escola e repetido duas vezes a 1ª série em uma escola particular, ter sido promovido para a 2ª serie, e ainda não ter aprendido a ler, assim como apresentar problemas de disciplina.

Para nossa surpresa, ao contrário do que nos foi passado a respeito de seu comportamento, indisciplinado, José tem demonstrado ser um pouco imaturo, e suas dificuldades vão além disso, é desatento na aula, apresenta uma fisionomia de cansaço, tem sono e por mais que se tente chamar-lhe a atenção, pouco resolve, logo foge da aula e está sempre envolvido em atritos e fofocas com os colegas, demonstra carência afetiva, o que é de estranhar, já que a família parece ser tão atenciosa.

Aprendeu a ler, porém  demonstra poucos progressos em outras áreas de aprendizagem, como escrita, traçado da letra, desenho, pintura e raciocínio.Ano passado foi encaminhado pela família para tratamento psicológico, foram vários meses, porém a família desistiu por acreditar que estavam sendo enrolados e que o filho não tem problema algum.

Este ano suas dificuldades tem se acentuado, já que devido as mesmas não está acompanhando a turma. A família foi chamada e no lugar de um novo encaminhamento, mesmo que sugerido pela escola, preferiu mandar uma agenda onde é solicitado o registro diário de seus progressos e comportamento.

Como sou professora de Projeto e entro em sala de aula, uma única vez na semana, tenho acesso a essa agenda e não gosto da forma como o caso está sendo tratado. Esta semana conversei com a professora titular, tenho visto somente registros negativos a respeito das aulas e todas as respostas vem acompanhada de um castigo. Tenho observado certo temor nos olhos de José, e quando vou fazer o meu registro me pergunta como foi seu comportamento e o que vou escrever. Respondo-lhe com outra pergunta, solicitando que ele me dite o que eu deveria escrever e responde: ”Hoje eu fui bem né profe? Prometo que na próxima aula vo ta melhor.”Posso estar cometendo um erro, escrevo que teve um bom comportamento e  na próxima aula deverá ser melhor ainda. Pode ser pena, medo das punições que está recebendo, mas não entendo como isso irá melhorar sua aprendizagem, já que querem saber sobre seu comportamento e não o que construiu de novo durante a aula.

Durante a conversa com a professora titular combinamos chamar novamente os pais, para juntos buscarmos outra solução.

 

 

19/05/09   

 

Unidade 3

 

ESTUDO DE CASO

 

 Serviços de Atendimento Educacional Especializado

 

 

Como já citei em outros momentos e trabalhos, em meu município, Portão o atendimento por parte de especialistas na área da educação é a meu ver bem precário, porém até agora baseava minhas informações na prática do dia a dia.

Com a necessidade de buscar informações mais concretas para a realização da atividade, sai em busca de dados mais específicos. Devo confessar que não foi fácil. O tempo disponível é curto, já que trabalho 40 horas, assim como o acesso a pessoas que são responsáveis por essa área, por incrível que pareça sempre estão muito ocupadas para nos atender ou precisam de tempo para reunir os dados pesquisados.

Após muitos telefonemas e viagens, já que tenho que me deslocar do interior, consegui as seguintes informações:

         APAE atende 34 alunos da rede regular.

            O município tem uma só psicóloga, que atende somente 22 alunos e tem uma lista de espera de 16.

            A fonodióloga  atende 33 alunos que vem com um encaminhamento médico.

            A rede municipal tem 20 escolas de Ensino Fundamental e 4 de Educação infantil e têm 6 orientadoras que se dividem para atendê-las, sendo que são nomeadas para escolas específicas.

            Como se pode observar, não estou tão errada quanto a precariedade dos atendimentos, e não posso julgar estes profissionais quando não atendem a meus alunos, já que é uma carga de trabalho muito grande.Não posso lhes culpar, mas hoje com o conhecimento que adquiri e estou adquirindo sobre os direitos de meus alunos, acredito que tenho o dever de levar estas informações para minha comunidade escolar, para que juntos encontramos uma forma de buscar reverter esta situação.

 

Unidade 2 - Políticas Públicas Brasileiras em Educação Especial e o Projeto Político - Pedagógico da Educação Inclusiva

                                                            

                                                              TÂNIA DUTRA

 

                                                   APRESENTAÇÃO DA ESCOLA

 

Trabalho em Portão, numa escola localizada na zona urbana, porém na periferia, diria na divisa com a zona rural, pois fica no cinturão da cidade. Não temos linha de ônibus, rede telefônica e o bairro tem uma única rua central, não pavimentada, estrada de chão como dizem.Os moradores de distribuem em trilhos, não há divisão de terrenos , e sim de espaços.Conforme a família aumenta, ou chega um parente distante, vão construindo.Não preciso dizer que não há saneamento básico, e o comércio é representado por vários bares, explicando o grande número de pessoas com problemas de alcoolismo.

Nossa escola, tem 47 alunos, 5 professoras, três titulares, a diretora e professora de classe de apoio, para 3º ano e 4ª série,uma professora de projeto, no caso eu, que entra em sala de aula uma vez por semana para a titular realizar seu planejamento e uma serviçal.Terceiro Ano e Quarta série tem aula no turno da manhã e Primeiro e Segundo Ano, no turno da tarde em turma multiseriada.

Pelo quadro docente e pela realidade de nossa clientela, fica fácil imaginar as dificuldades que passamos. A entrada e saída de alunos são comuns e as famílias são pouco participativas. No geral nossos alunos têm dificuldade de aprendizagem, pois vêm de famílias desestruturadas, que não acompanham seu processo de aprendizagem, alguns tem sua única refeição feita na escola.

Entre todos temos alguns casos especiais, um aluno que veio de uma escola da APAE de outro município, um que tem problemas psicológicos, por ter sido abandonado pelos pais, dois que apresentam dificuldades motoras e de aprendizagem bem significativas, pelo uso excessivo de álcool e drogas na gestação, um com dificuldades visuais, causadas pela toxoplasmose e quatro com dificuldades na fala.

Todos estes diagnósticos foram realizados por especialistas que atenderam a estas crianças encaminhadas por nós professoras e direção da escola.Infelizmente, hoje não recebem mais acompanhamento algum por não ter conseguido custear os acompanhamentos, seja por dificuldades de transporte, tempo ou interesse da família.Quanto a nós professoras ficou somente a frustração de não ter o poder de levá-los a continuidade do tratamento, a angustia de presenciar seu lento processo de aprendizagem e a vontade de dentro de suas capacidades levá-los adiante.

Infelizmente minha realidade não condiz com o que está escrito nas leis e decretos:

 Decreto nº.6571: atendimento especializado, sala de recursos multifuncionais, não tem nem refeitório, formação continuada para professores, contamos com nossa boa vontade e experiência, adequação arquitetônica, tem uma escada na entrada que os alunos do primeiro ano têm dificuldades para subir.

LDB Lei nº. 9394/96: apoio especializado, não tem supervisora educacional, orientadora, tudo que precisamos temos que encaminhar a solicitação para a SEMEC e aguardar retorno, uma psicóloga para várias escolas, que trabalha 20 horas semanais, currículo, métodos, técnicas, recursos educacionais e organização especifica, é realizada e providenciada por nós professoras.Infelizmente nosso município acredita que rádio, televisão, vídeo e DVD são recursos suficientes.

Poderia citar aqui todos os artigos e resoluções que nos trariam amparo e ajuda no desempenho de nossa profissão em especial a  Resolução CNE/CEB nº. 2 de 11 de Fevereiro de 2001 que esclarece o que são consideradas necessidades especiais na educação assim como identificá-las.

Infelizmente e sei eu isto não acontece só em meu município toda esta parte legal, como já relatei acima não é colocada em prática. Temos somente uma escola da APAE que trabalha em parceria com o poder público, porém não supre a demanda, é pequena em espaço físico e estrutura. Também este ano foi inaugurada uma escola que não consegui descobrir se é pública ou particular, mas está na mesma situação da APAE e nossos alunos não podem ser encaminhados para lá.Como a Secretaria de Educação também não tem profissionais especializados suficientes para a demanda, este ano estamos conseguindo alguns encaminhamentos via parceria com o Conselho Tutelar, graças a certo parentesco com um dos conselheiros.Temos aqui um exemplo concreto de que a realidade não condiz com o que o papel expressa.

 

 

 

 

 

 

INTERDISCIPLINA: EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS

 

Tânia Dutra

 

Reflexões/Experiências

 

Trabalho a muitos anos em escolas, porém nunca tive em minhas turmas um aluno com necessidades educacionais especiais. Tenho um tio que convivi mais no período da infância, que teve paralisia infantil e ficou com dificuldades físicas e mentais, um deficiente, como sempre ouvi falar quando nos referíamos a ele, porém uma referência que para meus avós era de carinho.  Lembro muito bem de suas dificuldades, porém a família sempre o tratou como alguém diferente, que devíamos ter pena, pois ele era incapaz, era um coitadinho que precisava ter sempre alguém ao seu lado. Apesar dos esforços e pedidos dos médicos meus avós nunca aceitaram mandá-lo para uma escola ou clinica para fisioterapia, o que lhe prejudicou muito, pois teve atrofia das pernas, e como não precisava pedir nada, aprendeu pouquíssimas palavras. Quando ele tinha 42 anos meus avós faleceram, e minha tia mais nova que ficou com sua guarda decidiu que ele deveria freqüentar uma clínica em Florianópolis, ele concordou. Lá os médicos disseram que se tivessem lhe procurado antes, ele poderia ter conseguido até caminhar. Hoje ele anda de cadeira de rodas sozinho, fala com alguma dificuldade, mas consegue se comunicar com tranqüilidade, se alimenta sozinho e até vem nos visitar. Quando o vejo fico um pouco triste de ver o quanto ele perdeu, mas lhe foi negado por amor. Tudo poderia ter sido diferente em sua vida.

Eu, mesma, este ano, agora a três semanas atrás, recebi em uma de minhas turmas, um aluno que veio transferido da APAE, fiquei apavorada. A mãe veio sozinha fazer a matrícula. Ele tem 14 anos e está no 3º ano. Sempre estudou em Escola Especial, porém agora com a mudança para nosso município, que não tem escola especial gratuita, a família se obrigou a colocá-lo em uma escola pública. Recebi mil e uma recomendações, que acabei ficando com medo de meu aluno. Regatei em mim aquele sentimento de pena, que me foi incutido sentir, por pessoas especiais como meu tio, e fiquei muito preocupada em como iria agir com ele em sala de aula, como que iria pedir para alguém com dificuldade para realizar alguma atividade?E se não pedisse como os outros alunos reagiriam?

Para minha surpresa suas atitudes até agora não tem nada a ver com o que a mãe disse, bem pelo contrário, ele é muito querido e esforçado, isto já me fez sentir bem melhor, assim como agora tenho o Fórum da interdisciplina para me ajudar com os depoimentos das colegas.  Uma coisa já aprendi, não posso sentir medo, pena, tenho é que sentir muito amor, e transmitir muito carinho, só assim poderei ajudá-lo.

 

 

                                                                                                                                              26/03/09

 

Comments (5)

lenise.pead@... said

at 11:43 pm on Apr 21, 2009

Oi!

lenise.pead@... said

at 11:54 pm on Apr 21, 2009

Tania, o teu relato evidencia o potencial inesgotável que nós, seres humanos, temos para a mudança em nossas vidas. Toodsoos processo de transformação a que estamos submetidos referem-se a aprendizagens que são contínuas e se dão ao longo da vida. O teu relato fala disso. Parabéns pela reviravolta em tua maneira de agir e pensar!
Com relaçã ao registro sobre a situação da educação inclusiva em seu município trazes informações reais e contundentes, não há o que discutir quanto a grande disparidade entre as políticas públicas e a realidade do municíoi em que atuas. não da pra desisitir , apesar da dureza do teu cotidiano escolar. Vamos enriquecer tuas reflexões com as atividades propostas para as próximas unidades.
Profª Lenise

lenise.pead@... said

at 8:00 pm on May 24, 2009

Muito bem, Tania! O registro de tuas atividades atendem plenamente as expectativas em relação aos objetivos propostos em nossa interdisciplina. Os relatos estão bem estruturados e apresentam as tuas reflexões de forma clara. Procure retomar os pontos que te causaram maior atenção até aqui para aprofundá-los nas próximas unidades.
Profª Lenise

Gi said

at 1:47 pm on Jun 19, 2009

Olá Tania... Tuas reflexões estão muito bem escritas, apresentando dados significativos sobre o aluno em questão, bem como suas relações tanto no ambiente escolar, como no familiar. Sabemos que o envolvimento e o comprometimento da família em um processo de inclusão ,e de suma importância para que se garanta a este sujeito as mesmas oportunidades de acesso a todos os bens produzidos socialmente. Parabéns!! Qualquer dúvida entre em contato. Abs,Gi

lenise.pead@... said

at 2:32 pm on Jul 5, 2009

Tania realizaste de forma satisfatória as atividades referentes as Unidades 6 e 7 propostas em nossa interdisicplina e, dessa forma, concluiste teu dossiê de inclusão. Entendemos que a tua trajetória intelectual está refletida nos teus textos argumentativos, nos depoimentos e demais formas de expressão que utilizaste ao longo de nossa interdisciplina.
Muito bem!
Continue acreditando na educação inclusiva, apesar de todas as dificuldades!
Profª Lenise

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